Mostrando postagens com marcador CIÊNCIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CIÊNCIA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CONHECIMENTO CIENTÍFICO II

APROFUNDAMENTO

A ciência nada mais é do que o senso comum refinado e disciplinadoG. Myrdal
CIÊNCIA E SENSO COMUM I
A ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais. Ela é a hipertrofia de capacidades que todos têm. Quanto maior a visão em profundidade, menor a visão em extensão. A tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos.
Senso comum é aquilo que não é ciência. Para aqueles que teriam a tendência de achar que o senso comum é inferior à ciência, eu só gostaria de lembrar que, por dezenas de milhares de anos, os homens sobreviveram sem coisa alguma que se assemelhasse à nossa ciência.

CIÊNCIA E SENSO COMUM II

O defeito é que faz a gente pensar. O que não é problemático não é pensado. A gente pensa porque as coisas não vão bem – alguma coisa incomoda. Quando tudo vai bem, a gente não pensa, mas simplesmente goza e usufrui... O pensamento pode simular o real. Quando um cientista enuncia uma lei ou uma teoria, ele está oferecendo um modelo da ordem. O problema é exatamente construir uma ordem ainda invisível de uma desordem visível e imediata. Só nos entregamos a problemas que julgamos poder resolver com os recursos de que dispomos. A observação sugere, mas não dá resposta. É necessário imaginação.

Enunciar com clareza o problema é indicar, antes de mais nada, de que partes ele se compões. É a este procedimento que se dá o nome de análise. O mecânico que desmonta o motor está envolvido em análise: separando cada e todas as partes, uma a uma.

O místico crê num Deus desconhecido. O pensador e o cientista crêem numa ordem desconhecida. É difícil dizer qual deles sobrepuja o outro em sua devoção não-racionalL. L. Whyte

Não se pode negar, por outro lado, que o senso comum e a ciência nos apresentam visões de ordem muito diferentes uma da outra. Sua ordem pessoal é profundamente marcada por preferências, emoções, valores. A ciência, desde seus primórdios, tratou de inventar métodos para impedir que os desejos corrompessem o conhecimento objetivo da realidade.

É a ciência e não o senso comum que parece ser o mais absurdo.

É um paradoxo que a Terra se mova ao redor do Sol e que a água seja constituída de dois gases altamente inflamáveis. A verdade científica é sempre um paradoxo, se julgada pela experiência cotidiana, que apenas capta a aparência efêmera das coisas” (K. Marx)

toda ciência seria supérflua se a aparência, a forma das coisas fosse totalmente idêntica à sua natureza” (Marx, O Capital, v. III [1894], p. 951).

Referência bibliográfica:
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência. São Paulo: Loyola, 2000.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO I

Todas as pessoas conhecem certos fatos, mesmo sem ter estudado ciência. Esses conhecimentos são familiares ao senso comum. A diferença entre senso comum e conhecimento científico não tem sua origem nos fatos ou objetos que as pessoas estudam. As características que fixam a fronteira entre o conhecimento científico e o senso comum estão relacionadas com a maneira de conhecer ou de justificar o conhecimento. O traço que marca a diferença entre o cientista e o não cientista é o processo de obtenção, justificação e transmissão do conhecimento.

O primeiro passo da pesquisa científica é a observação. A observação dos fenômenos precisa ser registrada. O cientista deve selecionar os dados que pareçam relevantes para sua pesquisa. Mas a ciência não é simples procura de dados. O cientista visa formular leis e organizar leis em teorias.
Depois de um grande conjunto de observações, o cientista por indução, elabora uma conjectura, chamada hipótese. Uma hipótese aceita é a hipótese que, seja porque foi fortemente testada, seja porque está apoiada em outras informações, tem uma grande chance de ser verdadeira.

As hipóteses verdadeiras chamam-se leis científicas. As leis constituem o “coração” das teorias científicas. Elas servem para explicar por que acontecem certos fatos e para predizer fenômenos futuros.
As teorias podem ser consideradas como conjuntos de leis científicas. Tendo em conta que essas leis estão ordenadas e organizadas interiormente, diremos que as teorias são sistemas de leis.

A ciência se divide em ciências factuais (naturais e humanas) e ciências abstratas (matemática e lógica).
As chamadas “ciências abstratas” são diferentes das ciências factuais (naturais ou humanas), porque os objetos com os quais trabalham não são entidades do mundo real, que possamos perceber através dos sentidos. Elas não trabalham com fatos (é por isso que não são factuais). Trabalham com idéias. Quase todos os cientistas aceitam que a matemática é uma ciência. Porém ela não depende da experiência.

O cientista factual usa, como fonte de conhecimento, dados reais, eventos do mundo físico, biológico ou cultural. Essa necessidade de experiência é responsável pelo fato de as ciências naturais e humanas serem também chamadas “ciências empíricas”.
As ciências factuais, por sua vez, dividem-se em naturais e humanas. Nas ciências humanas, a condição especial do homem tem um destaque inexistente nas ciências naturais. As ciências naturais são a física, a química, a biologia, a geologia, a astronomia e algumas outras. Enquanto as ciências humanas seriam a história, a antropologia, a psicologia, a lingüística, a economia, a ciência política, e assim por diante.

Referência bibliográfica:
LUNGARZO, Carlos. O que é ciência. Brasiliense.
(CONTINUA)
Questão:
1 - Existem diversas formas de conhecimento: senso comum, religião, artes, filosofia, ciência etc. O que faz da ciência uma forma distinta de conhecimento?